Significados, aplicações e diferenças entre CMS, LMS e LCMS

À medida que a indústria do e-Learning cresce e o tema ganha importância em muitos países e diversos mercados, uma discussão cada vez mais comum diz respeito às denominações e classificações dadas as soluções disponíveis.

É muito comum encontrar informações na Internet sobre soluções classificadas como CMS (Content Management Systems), LMS (Learning Management Systems), LCMS (Learning Content Management Systems), e outras. Mas afinal, o que diferencia cada uma das categorias acima?

Além de compreender as diferenças técnicas e as aplicações específicas de cada tipo de solução, é fundamental entender e prever de que maneira cada uma afeta professores, instrutores, estudantes e treinandos.

Antes de nos aprofundarmos mais nesta discussão, vamos tentar esclarecer um pouco mais sobre cada uma dessas categorias:

O que é um LMS (Learning Management System)?

Um LMS ou Sistema Gerenciador do Processo de Aprendizagem tem o objetivo principal de simplificar a administração dos programas de treinamento e educação em uma organização. O sistema auxilia funcionários ou estudantes a planejarem seus processos de aprendizagem individualmente, e ainda permite que os mesmo colaborem entre si através da troca de informações e conhecimentos.

No caso dos administradores, o sistema auxilia a análise, a disponibilização das informações, o rastreamento de dados, e a geração de relatórios sobre o progresso dos participantes. A maioria dos sistemas tipo LMS não possuem recursos que permitem a rápida e simples criação de conteúdos instrucionais, e este é um dos principais motivos pelo qual a maioria das empresas fornecedoras tem procurado oferecer ferramentas complementares ou trabalhar com parceiros de conteúdos.

Um sistema LMS normalmente não possibilita um elevado nível de personalização de conteúdos de cursos. Não havendo a possibilidade de reutilizar o conteúdo, desmembrando-o em partes, o modelo de um curso acaba sendo o tradicional “um curso padrão para diversos estudantes”.

O que é um CMS (Content Management System)?

Um CMS (Sistema Gerenciador de Conteúdos) é um termo normalmente utilizado pela mídia eletrônica. Seu objetivo é simplificar e agilizar os processos de criação, publicação e administração de conteúdos (artigos, relatórios, imagens, mídias, cursos etc). Podemos considerar como exemplo, um site de notícias fictício que possua 100 repórteres espalhados pelo mundo. Com o objetivo de evitar um verdadeiro pesadelo durante as publicações em virtude da dificuldade de consolidar diversos artigos provenientes de vários países em diferentes formatos e horários, este site pode utilizar um CMS para gerenciar as informações e padronizar processos.

Este gerenciamento pode ainda incluir de modo mais detalhado:

  • Separação entre conteúdos e apresentação: os repórteres precisarão se concentrar somente em preparar os conteúdos (através de uma ferramenta como o MS Word por exemplo), e não terão de se preocupar com o visual das informações. Isto se torna possível e simples através da criação de templates com imagens e formatação próprias nas quais o próprio repórter pode incluir as informações de modo simples.
  • Processos de trabalho dinâmicos: os artigos enviados pelos repórteres são primeiramente aprovados pelos editores e depois são publicados. E uma vez publicados, estes artigos permanecem acessíveis para o público por um determinado período, e depois são automaticamente arquivados pelo sistema.

Percebe-se portanto, que os conteúdos são criados através de componentes ou partes individuais que podem ser trabalhados de modo mais flexível. No caso do site exemplificado, estas características permitem uma experiência mais interessante para o leitor, pois é mais fácil estruturar os conteúdos de modo mais específico para os desejos ou necessidades de cada cliente. Um profissional interessado principalmente em dados e informações do mercado financeiro poderá, por exemplo, receber informações mais detalhadas sobre este tema e menos notícias sobre esportes.

O mesmo princípio pode ser aplicado para os cursos que venham a ser oferecidos através do e-Learning em uma organização. Cada componente de informação ou objeto de aprendizagem (Learning Object) pode ser disponibilizado para o público de modo mais segmentado e focado. Desta forma é mais fácil atingir a pessoa certa, na hora certa com o conteúdo certo, que é um dos princípios fundamentais do e-Learning.

O que são os Objetos de Aprendizagem Reutilizáveis (Reusable Learning Objects)?

Existem muitas definições sobre os Objetos de Aprendizagem Reutilizáveis (OAR). Alguns classificam um objeto como um simples arquivo de vídeo, uma imagem ou um documento. Para outros, um objeto corresponde a um conteúdo pequeno que pode conter diferentes tipos de mídia e que tem um propósito ou objetivo específico. A definição da NETg sobre o tema é a seguinte:

Um objeto de aprendizagem reutilizável é qualquer conteúdo, por menor que seja, que ofereça uma experiência instrucional e que contenha um objetivo, uma atividade de aprendizagem e uma avaliação.

O “objetivo” é exatamente o objetivo instrucional, ou a meta que deve ser alcançada pelo estudante ou treinando através daquele objeto. A “atividade de aprendizagem” corresponde ao conteúdo do objeto: suas mídias, documentos e estratégias que visam satisfazer o objetivo. A “avaliação” procura unicamente avaliar o grau de conhecimento do aluno sobre determinado tema. Com esta informação é possível e fundamental analisar não só o desempenho do estudante mas também a performance do curso e seu nível de eficiência.

Considerando a definição de que um objeto de aprendizagem é a menor parcela de conhecimento disponível seguindo os padrões acima, os mesmos podem ser misturados e permitirem que cada estudante ou treinando receba um conteúdo personalizado que atenda exatamente a suas necessidades. Isto significa dizer que um curso grande mas dividido em objetos pode ser personalizado individualmente.

Isto exposto, uma dúvida muito comum passa a ser: como são criados estes objetos? Ou como posso encher meu sistema com estes objetos e cursos? Existem duas maneiras:

  • Através da aquisição de conteúdos prontos preparados através de padrões OAR, e fornecidos por empresas especializadas como NETg e Smartforce.
  • Criação de seus próprios conteúdos através de equipes próprias ou contratação de empresas especializadas.

Ao assumir a criação do conteúdo, uma organização pode utilizar tanto ferramentas de autoria de soluções proprietárias (TopClass, Docent, Saba, etc.) como a criação direta através de linguagem web seguindo alguns modelos e padrões pré-estabelecidos. Não se deve deixar de lado os critérios que hoje vem sendo discutidos e as normas que tem sido criadas para padronizar o desenvolvimento de conteúdos, como o SCORM e o AICC.

E o que é um LCMS (Learning Content Management System)?

Um LCMS ou Sistema Gerenciador de Conteúdos e Aprendizagem é uma solução, na maioria das vezes totalmente web, que é utilizada para criar, aprovar, publicar e gerenciar conteúdos instrucionais (geralmente chamados de objetos de aprendizagem).

Um LCMS combina os recursos de administração e gerenciamento de um tradicional LMS com as funcionalidades de criação e customização de conteúdos e cursos de um CMS. Nele é possível encontrar bibliotecas repletas de objetos de aprendizagem que podem ser utilizados independentemente ou em conjunto como parte de cursos instrucionais mais completos.

Assim como no caso de sistemas do tipo CMS, a adoção de um sistema LCMS também envolve o estabelecimento de processos de trabalho. Abaixo estão alguns exemplos de atividades:

  • Os mediadores instrucionais (Instructional Designers) geralmente criam os objetos e os cursos com objetivos específicos ou estruturam novos cursos com objetos já existentes.
  • Os editores, que podem ser mediadores seniors ou gerentes de projeto são os que avaliam os objetos e os cursos e definem a aprovação ou rejeição dos mesmos. Se aprovados os conteúdos são publicados, e se rejeitados retornam para uma revisão por parte da equipe de desenvolvimento.
  • Regras de personalização de cursos devem ser definidas de acordo com os perfis pré-definidos, com os objetivos de indivíduos e grupos, e com os objetos de aprendizagem disponíveis.
  • Conteúdos que não mais se apliquem por estarem ultrapassados ou por serem de difícil reformulação para atualização devem ser arquivados ou apagados da biblioteca de conteúdos do sistema.

Qual o impacto de todas estas considerações sobre os estudantes, mediadores instrucionais e professores?

Primeiramente, os sistemas LCMS têm como grande objetivo satisfazer por completo as necessidades individuais do aluno ou treinando. Como mencionado anteriormente, os objetos de aprendizagem podem ser criados por profissionais da própria organização, que no caso de detectarem eventuais falhas ou gaps de conhecimento podem rapidamente corrigi-las.

Podemos citar, por exemplo, o caso do lançamento de um novo produto em uma empresa. O departamento de vendas pode então prever um gap de conhecimentos sobre este novo produto, e rapidamente criar objetos de aprendizagem que preencheriam este vazio de informações. Para os treinandos, ou seja, os representantes de vendas, estas informações são essenciais para a conquista de seus objetivos. Para a empresa a rapidez do processo de lançamento e o pioneirismo pode ser uma vantagem competitiva única.

Um segundo ponto importante, é que através do e-Learning e de recursos disponíveis em sistemas LCMS, o estudante não só adquire o conhecimento quando deseja (treinamento just-in-time), mas também recebe somente as informações que precisa. Isto é uma vantagem muito importante pois possibilita a racionalização do tempo investido no treinamento e um foco maior nas informações que realmente importam em cada situação.

Um terceiro ponto também essencial é o nível de personalização que tais sistemas oferecem para a experiência de aprendizagem. Imagine por um instante o modelo da Amazon.com que permite que o visitante receba informações de acordo com suas preferências, aplicado para cursos e treinamento. Neste caso os livros poderiam ser considerados como objetos de aprendizagem reutilizáveis. Assim, quando um aluno procurar por objetos (ou cursos) ele receberá recomendações baseadas nas suas solicitações ou buscas anteriores. É possível ler anotações e considerações de outras pessoas sobre determinados objetos ou cursos antes de efetivamente solicitá-los. Resumindo, é possível personalizar a experiência de cada um a partir de uma biblioteca única de conteúdos.

Esta nova abordagem também significa uma mudança drástica no modo como muitos mediadores e professores pensam. Ao invés de ver o treinamento como um processo contínuo, com um começo um meio e um fim, a exemplo de um livro, será necessário visualizar o mesmo como um processo formado por porções de conhecimento independentes e complementares que podem ser acessados aleatoriamente pelos alunos e diversas vezes. Isto significa que o aluno é quem define o seu próprio ritmo de aprendizagem.

Os objetivos de cada objeto de conhecimento passam a ser fundamentais pois servirão como guia para os treinandos. Devem portanto ser claras e concisas. Outro ponto muito importante é a navegação que precisa ser simples e de fácil entendimento para o usuário. É importante não esquecer que manter obstáculos entre os cursos e os estudantes pode ser fatal.

Referências:
LCMS = LMS + CMS [RLOs] – How does this affect the learner? The instructional designer?, Maish Nichani
LMS, Harvi Singh

Fonte: Por Equipe e-Learning Brasil – MicroPower.

E-learning Brasil
http://www.elearningbrasil.com.br/

E-Learning, Principal, RIA

5 comments


  1. eunice

    olá,

    eu gostaria de fazer referencias de seus texto em minha dissertação de mestrado e para tanto, necessito identificar o estado onde está hospedada esta informação.

    segundo normas da ABNT, devo identificá-lo corretamente e falta-me este dado.

    gostaria de sua informação e autorização.

    grata

    eunice

  2. jose

    alguem me podia indicar um livro que fale de cms(sistema de gestao de conteudos)?
    ou simplesmente tutoriais.
    obrigado

  3. Carlos Eduardo

    Caro Jose, um CMS muito bom ̩ o Joomla Рhttp://www.joomla.org. Inclusive um dos componentes que vc pode comprar para utilizar no Joomla, ̩ um LMS.
    Se vc quizer saber mais de CMS, veja http://www.opensourcecms.com/ que é uma reunião de CMS opensource mas tb tem analise e links para os comerciais.
    []s

  4. Excelente a publicação. Obrigado por compartilhar. Faço-lhe entao a seguinte pergunta: Moodle e Chamilo são LCMS?

  5. Moodle sim, não conheço Chamilo 😉

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